Ex-prefeito ironiza escolha de ator que o interpreta na série “Tremembé”: “Eu sou bonito”
Acir Filló, jornalista e ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, em São Paulo, não ficou nada satisfeito com o ator escolhido para interpretá-lo na série “Tremembé – A Prisão dos Famosos”, do Prime Video. Condenado a quase 20 anos por corrupção, o político de 52 anos elogiou a produção, mas fez questão de registrar o incômodo em entrevista ao jornal O Globo, na última terça-feira (4/11).
“Maratonei em um dia. Me emocionei ao ver o meu passado retratado na tela. O ator que me interpreta (Marcos de Andrade) é muito talentoso, mas ele é feio e eu sou um homem bonito. Queria que chamassem o Fabio Assunção, que é galã e tem a minha idade”, ironizou o político.
Filló foi condenado por fraudes e atos de corrupção durante sua gestão, mas teve a pena reduzida para sete anos. Atualmente, cumpre pena em regime aberto e alega inocência, afirmando ser vítima de perseguição política.
Na entrevista, ele também detalhou como conquistou a confiança de detentos notórios, movimentou informações dentro dos pavilhões e testemunhou as dinâmicas de poder entre figuras que marcaram o noticiário policial do país.
A experiência do jornalista resultou no livro “Diário de Tremembé”, em que descreve os códigos internos de convivência, as rotinas e as disputas por espaço dentro da penitenciária. Ele também aborda o que chama de “pacto tácito” entre o Estado e presos midiáticos para manter a ordem e silenciar críticas ao sistema.
Entre os nomes citados estão Roger Abdelmassih, Daniel e Cristian Cravinhos, Alexandre Nardoni e Lindemberg Alves. A obra foi censurada pela Justiça paulista em 2019, e sua publicação levou à transferência de Filló para o CDP de Pinheiros. O ex-prefeito sustenta que a punição foi motivada pelas revelações sobre o cotidiano prisional e por expor manobras de detentos famosos para obter vantagens. Já a Justiça alega que ele não tinha autorização para escrever o livro dentro do sistema penal.
Segundo Filló, o ex-médico Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por estuprar 37 pacientes, teria forjado laudos médicos para simular doença grave e obter prisão domiciliar. A suposta fraude, relatada no livro, levou à revogação do benefício e ao retorno imediato do criminoso ao presídio.
Durante sua pena, Filló também teve contato com Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabela, em 2008. Ele conta que só conseguiu se aproximar do detento dez anos após o crime, quando Nardoni o procurou em busca de reportagens sobre o caso. O gesto, segundo o jornalista, abriu caminho para conversas reservadas e para uma compreensão mais profunda do isolamento e do sofrimento vividos por um dos presos mais emblemáticos de Tremembé.
Fonte: PortalLeoDias

